Textos
De que nos adianta?

        De que nos adianta oferecermo-nos a Deus e não nos reconciliarmos com nossos irmãos? Não está no evangelho de Cristo que antes de levarmos oferendas ao altar devemos estar reconciliados com os nossos inimigos?
    Termos a consciência de que não devemos ser maledicentes se continuarmos falando mal dos nossos próprios companheiros de jornada: na família, no trabalho e até mesmo no centro espírita?
   Perceber a necessidade de sermos indulgentes com nossos irmãos se continuarmos apontando os defeitos e enxergando o erro do outro com muito mais constância e clareza do que enxergamos e reconhecemos os nossos? Se julgarmos e condenarmos suas falhas com  muito mais, severidade com que costumamos julgar as nossas?
    Sabermos que o perdão é uma dádiva muito maior para quem dá do que para quem recebe e que saber perdoar é uma das maiores virtudes que o Homem de Bem pode ter, se continuarmos guardando mágoas e rancores antigos, ressentindo todos os dias o mal que nos fizeram e guardando no nosso coração esses sentimentosnegativos que já deveríamos ter deixado para trás?
    De que nos adianta, compreendermos que a afabilidade e a doçura nos foi ensinada por Jesus através do seu próprio exemplo, se continuarmos sendo ásperos nas nossas palavras e nas nossas atitudes diante das mais simples contrariedades?
   Acreditar na primeira máxima que o Cristo nos veio reforçar de que todos nós somos irmãos filhos de um mesmo Pai, a quem devemos amar acima de todas as coisas, se apesar de vermos muitos desses seus filhos, nossos irmãos, passando por privações de necessidades primárias ( alimento, abrigo, agasalho) continuarmos indiferentes, não fazendo nada ou muito pouco para auxiliá-los?
    Conhecer a segunda grande lei do evangelho de Cristo, tão importante quanto a primeira, de que  devemos amar o próximo como a nós mesmos, se continuarmos egoístas e orgulhosos trabalhando e juntando riquezas materiais apenas para  satisfazer nossos desejos e caprichos? Se não nos dispusermos a nos privar de , uma parte do que temos e doarmos muito pouco, na maioria das vezes o supérfluo, para socorrê-los?
    A resposta para todas as questões levantadas pode ser dada em apenas uma simples palavra: NADA. Isso mesmo, não nos adianta (e nem nos servirá para) NADA.
    Não nos adianta NADA lermos o evangelho todos os dias (ainda que o memorizemos do início ao fim), conhecermos todas as suas passagens, parábolas, preces, entender a palavra do nosso mestre Jesus Cristo tomando- as como verdades, se não a colocarmos em prática, ou pelo menos nos esforçarmos, no nosso dia a dia; se não fizermos do Evangelho a cartilha para a nossa vida e nossas ações, nossas palavras e atitudes; se  continuarmos com os mesmos vícios  criados por maus hábitos que cultivamos no decorrer das nossas vidas; se  não nos predispormos à nossa reforma íntima.
    De nada adianta pregar o evangelho de Cristo com os lábios se não o exemplificarmos com nossa conduta moral; trazê-lo gravado em nossa mente se não o gravamos em nossos corações; pronunciarmos e repetirmos suas palavras se não agirmos de forma a torná-las verdadeiras em nossos sentimentos e pensamentos.
    É preciso viver e praticar os ensinamentos de Cristo. Modelar nossas almas e nossas atitudes diárias, baseando-nos nos seus exemplos, fazer do Cristo nosso modelo de perfeição, um espelho no qual possamos olhar e ver refletida uma imagem, mais semelhante possível à sua (já que ninguém é perfeito). Seguirmos as suas pegadas de humildade e simplicidade que nos levará ao caminho do amor, do perdão e da caridade para com os nossos irmãos necessitados.
    É mais do que  tempo de socorrer os que têm fome, não só do pão material como também do pão espiritual. Proporcionar ao maior número possível de irmãos não apenas o alimento que sustenta seus corpos, mas ainda as palavras de consolo que sustentarão os seus espíritos.
    Não se pode apenas passar por este mundo sem, no entanto contribuir para a sua melhoria, sem deixar marcas, sem realizarmos algo de importante e continuarmos em busca de prazeres efêmeros e fúteis, como se estivéssemos aqui por acaso. Não viemos a passeio. Estamos aqui para evoluir e a partir da nossa evolução e crescimento espiritual ajudar na evolução do outro.

    Conclusão: de nada adianta estudar o evangelho de Cristo se conhecendo suas verdades não as praticamos; se percebendo as lições deixadas através de suas parábolas não as incorporamos à nossa vida e se pregando sua palvra, não as vivemos, como alguém que deseja ser um verdadeiro Cristão.

Livia Chamusca
Enviado por Livia Chamusca em 25/04/2020
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